sexta-feira, 17 de maio de 2013

Exemplo


Numa recente palestra, sobre o tema política de drogas; na qual participei como debatedora; um ouvinte fez, da platéia, a única pergunta para o qual palestrante, muito humilde e sinceramente, ficou sem resposta.
Vou tentar reproduzir aqui, com certeza sem a mesma clareza com a qual a fala dele foi feita:
"Fala-se muito do desespero de uma mãe ou pai com o filho usuário; mas nós, na periferia, vemos muito o contrário, pais usuários e filhos perdidos, largados, sem apoio e o pior: sem exemplo. 
Uma criança que cresce sem exemplo, sem espelho, é muito propícia a mergulhar nas drogas e consequentemente no tráfico. Como fazer para que crianças filhas de pais dependentes saibam que estas são as causadoras do mal com o qual convivem, uma vez que, perante a lei, estes pais não estavam fazendo nada de errado?"
A pergunta não saiu da minha cabeça e quando tento encontrar uma resposta, imediatamente me lembro dos amigos que tenho e tive, filhos de pais alcoolatras.
Em geral existem dois tipo de comportamento; ou a criança mergulha no mesmo mal, principalmente na adolescência; ou cria ojeriza àquela substância que tão maléfica é para seu pai, ou mãe.
Recentemente conversando com uma psiquiatra que atua em clínicas de reabilitação, fiquei sabendo que em quase 30% dos casos os pais dos internados são usuários e quando se negam a ser também tratados o tratamento dos filhos é fadado ao fracasso.
O fato é: exemplo é tudo!
Foi aí que me lembrei de um acontecimento da minha infância que me marcou e que talvez seja um dos responsáveis pelo que faço e sou hoje.
Quando tinha 7 ou 8 anos estava com minha mãe no carro e presenciamos o atropelamento de um ciclista. O atropelador fugiu.
Minha mãe, sem pensar duas vezes e com 3 filhas pequenas no carro, parou, pegou o ciclista ferido e sua bicicleta, enfiou (não sei como) no carro e correu prum hospital.
A cena do socorro não me é muito clara; mas me lembro muito bem, quando alguns dias depois o menino veio com toda a sua família nos visitar em casa, para agradecer o que minha mãe havia feito. O rosto deles com um sorriso e aquela expressão de gratidão ficaram pra sempre.
Hoje, como mãe, fica muito claro que mais do que carinho, apoio e cuidado, devo dar aos meus filhos, bons exemplos. São eles que farão dos meus pequenos, boas pessoas, prontas para enfrentar o mundo.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Moda de responsa

A tragédia na fábrica de roupas em Bangladesh, onde mais de mil pessoas perderam suas vidas, trouxe a tona uma discussão inevitável pro universo da moda.
Quanto vale uma peça de roupa?
Todo mundo adora uma peça baratinha, mas qual é o preço mínimo que uma peça de roupa deve custar para assegurar que quem a confeccionou seja devidamente remunerado e tenha feito isso sob condições justas de trabalho?
Como assegurar que seu material seja procedente de fábricas que respeitem a natureza e evitem o desperdício?
Já recebi protótipo de camisetas feitas de pet em fábricas com trabalho análogo a escravidão, assim como conheço gente que tem lindos galpões com ótimas costureiras, todas muito bem remuneradas, trabalhando só com tecido sintético, com substâncias químicas além do permitido. 
A boa notícia é que muita gente pensa em tudo: remunera bem e assegura as condições de trabalho em toda a cadeia produtiva; repassa os produtos à preço justo, pagando todos os impostos e respeitando as leis locais e cuida para que a fonte do material seja a mais ecologicamente correta possível. Ou seja, tem muita gente fazendo moda sustentável.
A estilista Chiara Gadaleta, junta muitas ações e novidades bacanas no seu blog Ser Sustentável com Estilo, o site Eco Fashion World tem venda online de centenas de marcas que seguem a premissa de fazer moda mais responsável. Acabou de acontecer em Vancouver, no Canadá a 6a. edição da Eco Fashion Week, que apresenta pro mercado várias marcas sustentáveis e suas coleções.
Recentemente conheci a PP acessórios, marca da Petula Silveira, que produz acessórios lindos com o couro excedente da indústria calçadista. O que ia pro lixo, vira, nas mãos dela, lindas bolsas, carteiras, pulseiras e outros mimos. Por trabalhar com pedaços limitados de couro, as peças são únicas, mas nem por isso inacessíveis, os preços são bem convidativos. Justos, como todo seu processo de produção! 
carteira da PP Acessórios

bolsa da PP Acessórios

bolsa da PP Acessórios

pulseiras da PP Acessórios




quinta-feira, 2 de maio de 2013

Você tem medo de que?

É quase impossível ler o jornal hoje e não entrar em depressão.
Em São Paulo os latrocínios (roubos seguidos por morte) cresceram 82% de um ano pro outro, no Rio o 2o. ciclista é morto atropelado por um ônibus em menos de 1 semana, a dentista queimada viva, sem contar com os inúmeros casos de assassinos confessos, respondendo pelo crime em liberdade.
No meio de tudo isso, ontem, feriado do dia do trabalho, o Data Folha fez 30 anos e refez a pergunta de sua primeira pesquisa: qual o maior medo do paulistano?
Em 1983, ano de início dos trabalhos do Instituto, o medo era a inflação, hoje é de que alguém da família se envolva com drogas.
Tá certo que ter um filho, irmão, sobrinho ou parente dependente é um drama, mas hoje é mais fácil levar um tiro após um assalto em São Paulo do que experimentar uma pedra de crack.
Medo e gosto não se discutem. Cada um tem os seus. Um não gosta de avião, outro não consegue aprender a nadar... mas, me parece que ou tem algo de errado nessa pesquisa, ou as pessoas que responderam não leem.
O mesmo instituto há uma semana divulgou dados de outra pesquisa que diz que 93% é a favor da redução da idade penal.
O problema nesse país é que a incoerência e impunidade andam de mãos dadas e na hora que leio dados como esses vejo que a culpa, ou responsabilidade, não é só dos governantes, mas nossa, a população que pensa errado e não faz nada.
De que adianta diminuir a maioridade penal de 18 para 16 anos se um assassino de 16, 17, 20 ou 80 anos de idade responde pelo crime em liberdade e muitas vezes, quando julgado e condenado, tem a pena reduzida em 1/3?
De que adianta mandar milhões de meninos pra cadeia, por trabalharem como avião pro tráfico; muitas vezes pra conseguir sustentar o próprio vício; se o chefe deles anda de carrão e mora nos jardins?
De que adianta ter medo do seu filho usar droga se ele não pode sair na rua com segurança?
A discussão não deveria ser redução de maioridade penal, deveríamos estar na rua, mostrando nossa indignação com a justiça, com as leis e o modo como são empregadas.
Não é possível que um moleque que passa maconha seja preso e o outro que mata não.
Está tudo errado!
O meu medo é continuarmos assim, na inércia, deixando que nosso país, mesmo com emprego pleno, tenha índices de violência de guerra.
O meu medo é perder o orgulho que tenho em ser brasileira e digo: falta muito pouco pra que isso aconteça!

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Madeira



Uma das perguntas mais frequentes que ouço quando realizo trabalhos com arquitetos ou designers que usam madeira é: como garantir a procedência da madeira e estar dentro de padrões internacionais?
Um dos maiores vilões da floresta é a industria madeireira, que, em geral, explora árvores nativas, centenárias e sem possibilidade de reposição.
Durante séculos retiramos madeiras nobres de florestas do mundo todo sem nenhum controle, padrão, muito menos bom senso.
Para tentar controlar a retirada desse bem tão rico, em 1993 nasceu o FSC (forest stewardship council) que tem como missão difundir e facilitar o bom manejo das florestas brasileiras conforme princípios e critérios que conciliam as salvaguardas ecológicas com os benefícios sociais e a viabilidade econômica.
De forma simples o FSC certifica que a madeira é procedente de atividades legais, que respeitam povos indígenas, comunidades locais e que possuem manejo, ou seja, tudo o que é retirado é replantado e só trabalha-se com espécies de fácil recuperação.

Logicamente todo esse processo possui um custo, o que dificulta a difusão do trabalho de certificação FSC
Outra opção para quem deseja construir com madeira é usar madeira de demolição. Apesar de não garantirmos que o que era árvore voltará a ser; evitamos o corte de uma nova.
Algumas empresas oferecem peças lindas e únicas, como a Brasil Jacarandá, que trabalha com madeira de assoalhos de casas e fazendas antigas na região de Minas Gerais.
O uso da madeira de demolição vai além da construção civil e hoje vários designers optam por essa procedência na hora de desenvolverem seus móveis e objetos.
Da próxima vez que comprar um produto de madeira, procure o selo do FSC, pergunte ao vendedor qual a procedência; só assim, usando o nosso poder consumidor a indústria mudará de fato e garantiremos nossa parcela de responsabilidade em manter a floresta em pé.














segunda-feira, 22 de abril de 2013

Dia da Terra

Quando eu era criança e estudava num colégio espanhol, o dia 22 de abril era comemorado pela chegada dos portugueses ao Brasil.
Por incrível que pareça, professores de história brasileiros, faziam questão de excluir a palavra "descobrimento" do evento, já que índios habitavam estas terras ha muitos anos. Esse dia ficou marcado na minha memória, graças à estes professores, como o dia em que os índios começaram a sofrer, mais do que como um dia de glória.
Mais recentemente o 22 de abril trouxe uma nova comemoração, já que hoje, celebra-se também o dia mundial da terra.
A data foi criada em 1970 pelo senador norte americano Gaylord Nelson e tinha como objetivo chamar a atenção da população para problemas que na época eram novos conhecidos, como a contaminação do solo a conservação da biodiversidade e a necessidade de se frear a exploração do planeta.
Gaylord Nelson organizou nessa data uma grande manifestação, da qual participaram: 2 mil universidades, 10 mil escolas primárias e secundárias e centenas de comunidades. 
A pressão teve êxito e o governo dos Estados Unidos criou a Agencia de Proteção Ambiental (Environmental Protection Agency) e uma série de leis destinadas à proteção do meio ambiente.
Apesar de ter surgido quase como um movimento universitário e de não ser reconhecido pela ONU, o Dia da Terra se converteu em um importante acontecimento educativo e informativo. Grupos de ecologistas o utilizam como ocasião para avaliar os problemas do meio ambiente do planeta e insistir em soluções que permitam eliminar os efeitos negativos das atividades humanas. 
O site da organização que encabeça os eventos relacionados à data traz, além de discussões e debates, o histórico das conquistas desses 43 anos de comemoração.
O Google criou um doodle simpático em homenagem à terra e diversas ongs organizam atividades especiais para o dia de hoje.
Vá lá, confira e participe!

terça-feira, 16 de abril de 2013

Pet

A Pet, nossa velha conhecida embalagem de refrigerantes, sucos e água é um produto derivado de uma reação química entre o ácido tereftálico e o etileno glicol. Foi criada em 1941 por químicos britânicos e a grande sacada era justamente a possibilidade de reprocessamento, ou seja, o mesmo material, quando aquecido torna-se líquido e pode ser remoldado e reutilizado inúmeras vezes.
Mas, estudos diversos ligados a segurança, fizeram com que ela só entrasse pra valer no mercado a partir dos anos 70, com a condicionante de não ser reutilizada.
O resultado? LIXO, muito LIXO e com material contaminante.
Nos anos 80 as Pets começaram a ser recicladas nos estados Unidos e Canadá, mas, como por lei, não poderiam ser reprocessadas e seu material reutilizado na industria alimentícia, eram trituradas e viravam enchimento de almofada.
Foi só no final dos anos 90, quando a crise ambiental se instalava no globo e tornou-se necessário rever os processos que poluem e geram lixo, que o governo americano permitiu o reprocessamento e a pet pôde ser reutilizada como embalagem.
Por aqui o número ainda é baixo. Estimasse que apenas 7% das pets produzidas sejam recicladas. Falta conscientização da população e o custo para reprocessar é alto.
Enquanto o número de reciclagem de pet não alcança o das latas de alumínio, muita gente criativa recicla de outras maneiras.
Vejam cada coisa bacana que encontrei:














segunda-feira, 8 de abril de 2013

Apagão moral

Não é novidade que temos uma questão séria quando falamos em planejamento estrutural nesse país.
O governo federal, governos locais e prefeituras, tem dificuldade em se entender e quem paga o pato somos nós, cidadãos.
Em ano de safra recorde, quando deveríamos comemorar e exportar mais do que nunca, vemos o gargalo das estradas e portos impedir que isso aconteça.
Em ano que antecede a tão esperada copa do mundo a ser sediada por aqui, ao invés de estarmos ansiosos, felizes e orgulhosos, estamos temerosos e envergonhados.
A falta de segurança nas cidades, o atraso e superfaturamento nas obras dos estádios e aeroportos só deixa mais evidente a ineficiência nata desse país.
Agora, 12 anos após o apagão de 2001 ,que assombrou a população no último ano do governo Fernando Henrique, voltamos a enfrentar o mesmo problema.
Naquela época, a crise energética estava ligada principalmente à falta de planejamento no setor e à ausência de investimentos em geração e distribuição de energia. Somou-se a isso o aumento contínuo do consumo de energia devido ao crescimento populacional e ao aumento de produção pelas indústrias. Outro fator que contribuiu para agravar a situação foi o fato de que mais de 90% da energia elétrica do Brasil era produzida por usinas hidrelétricas, que necessitam de chuva para manter o nível dos reservatórios.
E o que mudou nesses 12 anos?
No mundo todo a necessidade de aumento na produção de energia fez com que alguns países como a Alemanha, adotassem medidas para incentivar a produção e consumo de energias provenientes de fontes renováveis, como o Feed in, mecanismo que calcula o custo de produção de cada tipo de fonte e o repassa de forma proporcional ao consumidor. A energia eólica chega a um custo 30% menor do que a nuclear, por exemplo. O resultado óbvio é que concessionárias acabam migrando para as renováveis mais baratas e consequentemente o consumidor.
Já por aqui, parece que nada mudou nesses 12 anos, temos sim projetos no setor de energia eólica, mas entraves burocráticos fazem com que um parque eólico, que nos Estados Unidos é construído em 1 ano (desde o projeto, até a implementação), por aqui não conseguimos fazer em 5!
Isso por que o governo Dilma separou nos leilões a construção dos parques de suas linhas de transmissão, só que um não funciona sem o outro. Temos projetos de parques eólicos quase prontos, mas suas linhas nem começaram a sair do papel.
Como se não bastasse, de acordo com o jornal O Globo, dos 80 principais projetos de geração do país previstos para o período de 2013 a 2015, 53, ou 66%, estão com atrasos. Há problemas, ainda, na distribuição. Além disso, 27% das obras consideradas obrigatórias nas 12 cidades que vão sediar os jogos não serão concluídas no prazo previsto. Algumas contam com previsão de término para depois da Copa.
Ou seja, não vai ter estádio, nem aeroporto, nem luz!
O apagão de 2014, diferente daquele de 2001, que era só elétrico, será moral!